domingo, novembro 09, 2008

Sobre os nomes das ruas na Corunha

O rueiro corunhês transforma-se...às agachadas

O Presidente da Cámara Municipal da Corunha, Xavier Lousada, vem de anunciar novos cámbios no nomenclátor corunhês, cámbios que vam supôr a supressom de nomes de espaços públicos que remitem de umha maneira clara ao franquismo. As mudanças no nomenclátor estám-se a fazer pola porta de atrás, sem demasiado ruído, para nom levantar polémicas. Suponhemos que será umha condiçom imposta polos grupos de pressom reaccionários que apoiam a Lousada, a cámbio de nom desatar umha guerra mediática a conta deste tema. Em qualquer caso, à parte das condiçons de semi-clandestinidade nas que se estám a dar as mudanças, há outros aspectos deste tema nom menos criticáveis, e mesmo condenáveis.

Um governo local que leva como carimbo de apresentaçom o achegamento à cidadania, está a levar a termo umhas mudanças na paisagem urbana da Corunha, nas que o povo deveria ter muito que dizer. A penumbra mediática que envolve este tema, precisamente evita que se tomem decisons com as que a vizinhança se poida sentir identificada. Evitar o debate social, para que o povo valore a decisom ou mesmo faga as suas propostas, ou inclusso debata de maneira pública e a pé de rua estes cámbios com os sectores reácios a que as mudanças se deam, vai em consonáncia com essa falácia instalada nas linhas oficiais de discurso sobre esta questom de “nom abrir feridas”.

As mudanças no nomenclátor se estám a dar de umha maneira fraudulenta, porque se bem teoricamente se realizam para cumprir com a já raquítica Lei da Memória Histórica, o certo é que nem sequer cumprem com umha premissa fundamental dessa lei, que é a reparaçom e rehabilitaçom das vítimas. O que de nengumha maneira é admissível é que com o pretenso intuito de cumprir com a Lei de Memória Histórica se aproveite para retirar a simbologia franquista e, com ela, precisamente, a memória; a falta da valentia política necessária para fazer nossa a causa anti-fascista e, portanto, devolver-lhe ao povo a memória de Manolo Velho, de José Ramom Gomes Gaioso, de Moncho Rei Balvís, simplesmente passa-se a borracha sobre a página incómoda, para fazermos como quem de que nunca houvo umha guerra, umha repressom, umha ditadura. PSOE e BNG burlam as suas próprias leis.

Por último, e para completar este agir tam profundamente covarde e batoteiro, nom há mais que botar umha vista de olhos sobre os nomes baralhados para substituir os nomes franquistas ou para dar nome a ruas novas: Por suposto, nem um só nome relacionado com a causa anti-fascista; Linneo, Darwin e, polo meio, um nome que nom precisamente leva associado o amor polo povo galego...nada menos que Napoleon Bonaparte, cujas pretensons imperialistas sobre a Galiza forom respondidas de maneira heróica polo nosso povo. Mas, claro, suponhemos que para nom ferir o orgulho imperial da França, os nossos governantes locais preferirám homenagear ao sanguinário emperador de origem corsa e nom aos miles de filh@s sem rosto do povo galego que o combaterom e que morrerom defendendo a sua terra e a sua dignidade.

Estám a retirar a simbologia franquista, mas estám-nos a calotear. Eludem que o povo reconquiste a memória própria, os nomes próprios de umha luita que foi honorável e justa. Os nomes daqueles e aquelas que morrerom pagando a sua negativa a se submeter ao terror fascista.

Ramiro Vidal Alvarinho

1 Comments:

At 8:51 PM, Blogger Oscar de Lis said...

É mágoa, mas, alguém acredita que ia ser doutro modo? Com o Garzón a recuar e com os setores mais reacionários a dirigir os fios do país (se não as câmaras), as modificações são geralmente assim: pela porta de trás - No meu trabalho falamos a diário com o Complexo Hospitalário Universitário da Corunha (CHUAC - toda vez que foi desestimada a ideia de Hospital Daniel Castelão), mas na boca da gente ainda está o Juan Canalejo fascista e, com a mesma, o esquecimento do que ele foi - ainda paira a ideia não contrastada de que foi médico ou similar. Não, senhora, foi um terrorista apoiado por multidão de terroristas.

 

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