sexta-feira, março 24, 2006

Música e política

Noutro blog de outro servidor, atopei um pequeno artigo sobre curiosidades musicais, mais bem centrado no anecdotário das bandas do rock americano, que basicamente me vem parecendo um circo, à parte de que inclusso as bandas politizadas de verdade nos USA, politizadas no sentido de que se molham defendendo causas ou pedindo o voto para alguém, que é ao mais que chegam, adoitam ter um discurso bem pobre. De quaquer jeito, achei o tema interessante, porque aliás já tinha pensado escrever algumha cousa acerca do tema por várias questons.

Umha das razons que me empeliu a decidir escrever sobre a estreita relaçom entre o mundo da música e o da política, foi um artigo bastante vomitivo num prestigioso jornal corunhês no que se reconvinha, nom sei, como paternalistamente ao Manu Chao por ir tocar a Cuba e dizer o que dixo de Bush, ou à inversa, dizer o que dixo de Bush estando em Cuba, ou mais por ter ido a tocar a Cuba que por dizer o que dixo de Bush, que falar mal de Bush pois está dentro do permitido...bom, que eu creio que no fundo vem sendo um bocadinho por tudo, que em geral os alarmes saltarom porque os sensores dixerom "Atençom! Combinaçom errónea!". No meu outro blog defendo um pouco a Manu Chao e o seu direito de fazer o que lhe pete assim como o nosso direito a fazer-lhe caso ou nom, ou ficar com o que nos convenha de cada um dos seus factos e cada umha das suas palavras. Realmente aí está o problema; que ataquem a Fidel Castro e a Manu Chao nom é tanto o problema em quanto que lhes sobram defensores e lhes sobra tribuna para replicar, o maior ataque é aos leitores e à sua inteligência. Pretendem ensinar-nos a ser progres, o que tem bastante chiste, se o pensas, mas de primeiras, a mim me provoca náuseas...ou seja, claro, o modelo se quixeres ser um progre é Bono, é Bob Geldoff (...mas homem tampouco te passes de roxo, tio, que isso nom é nada guai, que nom se leva isso de...) Por um lado está isso, e polo outro...polo outro, o fodido pensamento único, a homogeneizaçom de gostos, a ditadura do politicamente correcto. E quê tal se nos deixam escolher a nós? Enfim...
Os mass média tutelam-nos política e culturalmente, a isto me refiro. Que Manu Chao é um oportunista com o de ir tocar a Cuba? Se calhar...e porquê ele nom pode ser oportunista? Eu nom som um fam de Manu Chao eu simplesmente som um ser pensante que lhe di às empresas de comunicaçom "Deixade-me em paz!!!"
Aquí ninguém é inocente, todos sabemos que houvo grandes músicos, sobretudo entre os ícones do pop e o rock, conhecidos por se casar politicamente. Todos sabemos quê artistas fixerom campanha por Kerry nas últimas presidenciais norteamericanas, nom é? Também sabemos de outros que pedirom o voto para Bush, ou que publicamente manifestarom a sua vontade de votar-lhe.
No contexto do estado espanhol, mais ou menos imaginamos quem é quem também, ainda que o panorama seja um bocado mais complexo.
O pessoal que escuita punk, sabe perfeitamente que o rock radical basco foi um fenómeno que medrou à sombra do movimento abertzale de esquerdas. Tenho amigos que escuitam heavy metal e dentro deste estilo todos sabemos de bandas que utilizam iconologia fascista, e de outras que à parte dessa iconologia que usam, também som explicitamente fascistas. Isto nom converte nem aos que escuitam rock radical basco em abertzales, nem aos que escuitam heavy metal em nazis.
Por outra banda, suponho que nom todos os fans de Loquillo serám do PSOE, nem votariam "Sim" à constituiçom europeia. Ou suponho que nom todos os fans de Joaquín Sabina serám acerrimamente pró-taurinos. Ou suponho que nom todos os que admiram a Pablo Milanés simpatizarám com Fidel Castro.
E de entre os seguidores de Manu Chao haverá a quem lhe pareza estupendo que vaia a Cuba, haverá a quem lhe pareza fatal e haverá a quem lhe pareza umha cagada mas que defenderá o direito de Manu Chao a cagá-la, em qualquer caso eu estou seguro de que a maioria desse heterógeneo conjunto seguirá indo a concertos e comprando cedés de Manu Chao.
A mim particularmente dá-me igual Manu Chao, assim que mais indiferente me vem resultando ainda o que faga. O que nom me dá igual é que me importunem líderes de opiniom que nom reconhecem o nosso direito de escolher.

5 Comments:

At 6:41 PM, Anonymous F. Miguez said...

Está mallado, un artigo perfecto, sí señor. Noraboa.

 
At 4:41 PM, Anonymous B said...

???

 
At 8:52 AM, Blogger tangaranho said...

B, poderias-me explicar o sentido da tua intervençom? Nom percebo, desculpa.

 
At 3:18 PM, Anonymous Anônimo said...

Cando o rock radical vasco medrou a beira do nacionalismo foi xustamente cando decaiu completamente.
Un veciño teu :)

 
At 9:11 AM, Blogger tangaranho said...

Bem, pois aí caberia matizar...suponho que saberás que o primeiro lugar onde apareceu acunhado esse termo de "rock radical basco" foi no Egin, no seu suplemento "Bat, hi, hiru..." portanto acho que umha cousa é falarmos do movimento punk em Euskal Herria e outra falarmos do "rock radical basco". Nom som duas cousas necessariamente paralelas.

 

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