quinta-feira, dezembro 30, 2004

Recomendaçom musical: um violinista na encruzilhada

Um dos músicos que poderia ser considerado o símbolo do que deveria ser o Oriente Meio num futuro próximo é o Yair Dalal. Já actutou várias vezes no festival Womad. Conhecim-no a travês do desaparecido catálogo de músicas do mundo “Con la música a todas partes” e impressionou-me. A sua peripécia pessoal bem merece certa atençom, nom porque seja singular, mas porque seguro que marcou o seu carácter e a sua maneira de ver as cousas. Ele é judeu, nascido no Iraque; um país onde, imagino, os judeus nom serám demasiado bem vistos, muito a pesar de que, teoricamente, no Iraque de Saddam havia liberdade religiosa. É de supor que, conhecendo um bocadinho a agitada história daquela regiom do mundo, as tensons com os judeus em países vizinhos de Israel sejam frequentes. Bem, ele hoje reside em Israel. Conhece portanto o que é ser um perseguido. E conhecerá também o que é ser um cidadao de segunda num estado tam indisimuladamente racista como é Israel, que nom recebeu nunca com os braços abertos aos refugiados ou inmigrantes procedentes da Europa do Leste, dos países árabes ou da África negra. Um judeu iraquiano nunca vai ser igual a um judeu norteamericano em Israel.

Dalal fai música de tradiçom judia e árabe, trabalha com músicos de vários pontos do planeta, e os seus discos som autênticas viagens transcontinentais por estes dous universos culturais. A tradiçom sufí e a sefardita podem-se dar a mao, e acto seguido um pode vibrar com um frenético klezmer. As melodías vam desde o sensual até o hipnótico.

Este irmanamento entre mundos e tradiçons, este transgredir limites históricos, culturais, étnicos...tem toda a intencionalidade, é umha clara reivindicaçom da necessidade de entendimento entre dous povos; o israelí e o palestiniano. Esperemos que nada nem ninguém chegue a calar a este violinista, filho de um tempo difícil e refem do fogo cruzado que condiciona a sua vida.

2 Comments:

At 12:46 PM, Blogger Loba said...

O final deste seu texto é um desejo tb meu! Não só para o violinista, mas para os dois povos. E pro mundo! Que 2005 nos faça conhecer um pouco mais de paz! Fiquei super feliz com as novidades, viu? Desejo muito sucesso a vc! Um Feliz 2005 - com muito amor e muitas realizações. Beijo de cá..

 
At 2:55 AM, Blogger Bernardes said...

Oi, Tangaranho. É sempre bom ver pessoas tentando construir pontes entre margens diversas deste mundo que, afinal, é um só... e é curioso que a maior parte delas seja constituída de artistas. A arte sabe unir os povos e as culturas, coisa em que a religião e a política revelam a sua incompetência. Abraço brasileiro do Bernardes.
PS - Que 2005 traga ao menos algumas alegrias paa você e sua família!

 

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