quinta-feira, agosto 19, 2004

Versos de Artur Alonso Novelhe

Do seu poemário "Entre os teus olhos"



Aninhámos
Peito com peito
Perto do rio


Umha estaçom trémula
Pervivendo
Em aquele abandono
Luitava fugir a noite do Inverno


Com ida retorno

E dous ou três comboios a ferro
Nos tinham cercados

Aninhámos fontes
Cristalinas sombras
E fragâncias que se perdem
Vomitando chilreios
Entre regueiros carregados de pardais nos tectos

Para tentar nós deixar
de serem aqueles sem um nome próprio

perto do rio
no embarque dos salgueiros

remavam duas folhinhas,
teus pés indefesos

mas nós nom nos importávamos
com os sonhos daquele mundo

e atrás ficarom murmúrios
bocas dentadas quebrando suspiros
que alguém confundiu gemendo com as sombras

perto do rio
peito com peito

mudámos
tu
mais eu

coroas de flores que só nos pertencem
até deitar recostadas as pôlas da inocência

e jé nem ficam
pegadas de carril
que indiquem a sorte
qual é o horizonte

1 Comments:

At 1:44 AM, Blogger Loba said...

Não tenho muito conhecimento da literatura da sua terra, mas aqui tenho visto muitos poemas belos. Estas novas descobertas têm sidomuito prazerosas, viu? Um bom domingo. Beijos

 

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