domingo, outubro 24, 2004

A pegada da Galiza na Argentina

Depois de algum tempo sem postar, volto para vos contar umha experiência realmente interessante que venho de ter. Esta quinta-feira na Corunha, tivem o honor de apresentar e moderar umha palestra sobre o nacionalismo galego na Argentina, na que participarom Xosé Rivera, operário reformado de ENDESA, Bernardo Penabade Rei, Presidente da Associaçom Galega da Língua e Paco Pacheco, argentino descendente de galegos, hoje residente na vizinha localidade de Arteijo.

Foi emotivo ter notícia da actividade dos herdeiros directos da Sociedade Nazonalista Pondal, da ADIGAL de Buenos Aires, da intensidade com a que pessoas que levavam mais de meia vida a morar fora do seu país, a miles de quilómetros, viviam a realidade da Galiza.

Mas foi especialmente impactante para o auditório escuitar umha muito singular história da que nos deu conta o Paco Pacheco. Este homem foi o promotor de um monumento na Patagónia de umha das vítimas galegas na guerra das Malvinas, o fisterrao Manuel Olbeira. Este marinho mercante alistou-se nas tropas argentinas para luitar na guerra contra os británicos. O buque no que estava embarcado afundiu-se, e muitos dos companheiros de Manuel Olbeira nom sabiam nadar. O Manuel Olbeira , em lugar de se preocupar pos pôr a sua vida a salvo, estivo a nadar para ajudar a alguns dos seus companheiros a alcançar as balsas. Parece ser que colocou nas balsas a dúzias de pessoas. E desapareceu. Seguramente, ficaria sem forças para seguir nadando e engoliriam-no as ondas. A travês de um programa de rádio para a comunidade galega na Argentina que coduzia o Paco Pacheco, éste tivo notícia desta história heróica e comovedora. Umha descendente de Manuel Olbeira chamou ao programa. O Paco Pacheco, atraido por aquela história decidiu promover um monumento para aquele galego que morreu heroicamente numha guerra que nom era a sua, e que morreu nom matando, nom rendendo-lhe tributo à morte, mas salvando vidas. Contou-lhe a história o Pacheco a um escultor de origem ucraíno amigo seu e este aceitou realizar o monumento sem cobrar nada. O monumento fixo-se de cimento, porque nom havia dinheiro para bronze. A estrutura metálica a fixo um judeu. Algum dia relatarei todos os pormenores da construcçom do monumento, que em si é umha história de solidariedade humana realmente interessante.

O monumento inaugurou-se na Patagónia com a assistência de umha representaçom da família de Manuel Olbeira, e intencionadamente nom se chamou a nengum partido político. Este monumento consistia na figura do Manuel Olbeira a arrastar umha bandeira galega e outra argentina. Contou-me o pacheco “off the record” que este monumento tem oculto algum piscar de olhos ao nacionalismo galego, e que também o artista deixou umha pequena impronta própria. Nas calças de ganga que no monumento veste o Manuel Olbeira, há gravada a palavra “ceive” e a estrela da liberdade, um símbolo nacional ucraíno.

Eu puidem ver a emoçom nos rostos do público. Foi impressionante. Prometim-me que faria em breves um relato sobre a história de Manuel Olbeira.

2 Comments:

At 11:01 PM, Blogger tecum said...

primeiro deixo um abraço, só agora vou ler com calma.

Boa semana ;-)

 
At 1:56 AM, Blogger velaquí as serpes do amor said...

un testemuño emocionante, desde logo

 

Postar um comentário

<< Home